O vício em apostas online está relacionado a perda de controle financeiro, endividamento e problemas emocionais. Se você ou alguém próximo está enfrentando esse desafio, saiba que existem serviços públicos e gratuitos de apoio no Brasil. Este artigo apresenta as principais opções de tratamento e orientação.
1. Teleatendimento em saúde mental pelo SUS
Em março de 2026 o Ministério da Saúde lançou um serviço de teleatendimento específico para pessoas com compulsão em apostas, seus familiares e rede de apoio. As consultas são realizadas por vídeo, duram cerca de 45 minutos e fazem parte de ciclos estruturados de cuidado, com até 13 sessões por paciente. A equipe multidisciplinar inclui psicólogos, terapeutas ocupacionais e psiquiatras, e o atendimento é gratuito e confidencial.
Para acessar, baixe o aplicativo Meu SUS Digital (Android, iOS ou web), faça login com sua conta gov.br e escolha o miniapp “Problemas com jogos de apostas?”. O sistema apresenta um autoteste baseado em evidências científicas; se o risco for moderado ou alto, você é encaminhado automaticamente para o teleatendimento. Nos casos de risco menor, a orientação é procurar a Rede de Atenção Psicossocial.
2. Rede de Atenção Psicossocial (CAPS e UBS)
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS reúne serviços presenciais para acolher pessoas com transtornos mentais e dependências. Os principais pontos de apoio são:
- Centros de Atenção Psicossocial (CAPS): unidades especializadas em saúde mental presentes em diversas cidades. Oferecem atendimento multiprofissional, grupos terapêuticos e acompanhamento contínuo.
- Unidades Básicas de Saúde (UBS): portas de entrada para o SUS, onde profissionais de saúde podem acolher, orientar e encaminhar para serviços especializados.
O primeiro passo é procurar a UBS mais próxima ou o CAPS de sua região e explicar que você está enfrentando problemas com jogos de apostas. O atendimento é gratuito e visa construir um plano de cuidado individualizado.
3. Autoexclusão e suporte adicional
Se você ainda possui contas em sites de apostas e deseja interromper o acesso, utilize a plataforma de autoexclusão em gov.br/autoexclusaoapostas. Ao solicitar o bloqueio, todas as suas contas em casas autorizadas são suspensas por um período escolhido (de um a doze meses ou de forma permanente) e você não poderá abrir novas contas. Essa medida impede recaídas e complementa o tratamento.
Além disso, a Ouvidoria do SUS está preparada para orientar sobre dependência de jogos. Profissionais atendem pelo telefone 136, por teleatendimento e via WhatsApp, oferecendo informações sobre prevenção e encaminhamentos.
4. Cuidados financeiros e apoio familiar
• Procure apoio familiar: compartilhe a situação com pessoas de confiança. O suporte de familiares e amigos é essencial na recuperação.
• Organize as finanças: faça um levantamento das dívidas e considere buscar orientação em instituições de defesa do consumidor ou nos Núcleos de Apoio ao Superendividado.
• Evite soluções milagrosas: charlatães oferecem cursos pagos para “ganhar na aposta” ou “securitizar dívidas”, o que agrava a situação.
• Adote hábitos saudáveis: pratique exercícios físicos, participe de grupos de apoio e mantenha uma rotina equilibrada.
5. A importância de buscar ajuda
Compulsão por apostas é um problema de saúde mental que pode levar a consequências graves, como depressão, endividamento e conflitos familiares. O tratamento é mais eficaz quando iniciado precocemente. Não sinta vergonha de pedir ajuda: os serviços de saúde mental do SUS são gratuitos, sigilosos e acolhedores. O investimento no cuidado agora evita agravamentos futuros.
Se além do desafio emocional você também está com saldo retido, saque bloqueado ou conta suspensa em uma casa de apostas, saiba que a lei protege o consumidor nesses casos. O Guia Defesa Bet explica como tentar recuperar esse dinheiro — com o passo a passo do Procon ao Juizado Especial — em linguagem simples, sem precisar de advogado.
Links úteis
- Autoexclusão: bloqueie todos os sites de aposta
- Conta suspensa em casa de apostas: seus direitos
- Saldo retido na bet: como tentar recuperar
Referências: reportagens da Agência Brasil e documentos oficiais sobre teleatendimento e autoexclusão.





