A verificação de identidade (conhecida como Know Your Customer, ou KYC) é uma exigência legal das plataformas de apostas esportivas no Brasil. Implementada a partir da Lei 14.790/2023, a regra obriga as casas de apostas a coletar dados dos apostadores para prevenir fraudes, lavagem de dinheiro e a participação de menores de idade. Porém, há casos em que a empresa pede documentos e, mesmo após o envio, não libera o saque. Quando isso ocorre, é importante saber diferenciar o procedimento legítimo de uma retenção abusiva.
1. Por que a KYC é exigida
Segundo especialistas, desde janeiro de 2025 todo apostador deve concluir o cadastro completo antes de fazer depósitos ou retiradas. O processo exige preencher dados pessoais, enviar foto de um documento oficial (RG, CNH, passaporte ou carteira de identidade nacional) e uma selfie para validação biométrica. O objetivo é impedir fraudes e comprovar que o usuário é maior de 18 anos. Enquanto a verificação não é concluída, o acesso à conta pode ser restrito, o que inclui o bloqueio temporário de saques.
2. Quais documentos são aceitos e como enviar
As casas legalizadas indicam no próprio site os documentos aceitos. Os mais comuns são:
- RG, CNH ou passaporte válidos, com foto legível;
- Comprovante de residência recente (até três meses);
- Selfie do titular segurando o documento;
- Algumas plataformas também podem solicitar o CIN (Carteira de Identidade Nacional) ou documento militar.
O envio deve ser feito apenas dentro do ambiente da própria plataforma, para evitar fraudes. Nunca envie documentos por e‑mail ou aplicativos de mensagem. Após o envio correto, as empresas legalizadas costumam liberar o saque em poucos dias. Caso a análise ultrapasse este prazo sem justificativa plausível, o consumidor deve acionar o suporte e guardar todos os protocolos para eventual reclamação.
3. Quando a exigência se torna abusiva
O procedimento se torna abusivo quando a casa de apostas cria obstáculos injustificados para o saque. Exemplos incluem:
- Pedidos repetidos de documentos já enviados ou exigências de informações que não constam nos termos de uso;
- Demora excessiva na liberação do saque, mesmo após o envio de toda a documentação;
- Solicitação de dados irrelevantes ou sensíveis sem explicação;
- Bloqueio de conta sob pretexto de “prevenção à lavagem de dinheiro” sem qualquer prova de irregularidade.
De acordo com juristas, cancelar apostas vencedoras ou reter o saldo por “erro de odd” ou suposta fraude sem apresentar provas viola o Código de Defesa do Consumidor e o artigo 27 da Lei 14.790/2023. A jurisprudência demonstra que esse tipo de retenção é considerado prática abusiva e a empresa pode ser obrigada a devolver o valor com correção e pagar indenização.
4. Como agir em caso de retenção injustificada
Ao perceber que a empresa está protelando a liberação do saque, siga este roteiro:
- Anote tudo: registre as datas, horários e respostas do suporte. Faça capturas de tela das solicitações de documentos e das mensagens da plataforma.
- Confirme se a casa é legal: consulte a lista oficial de casas autorizadas no Ministério da Fazenda. Sites clandestinos costumam usar a exigência de documentos para atrasar saques e, em muitos casos, nunca pagam. Veja nosso artigo como saber se uma casa de apostas é legalizada.
- Acione canais oficiais: se a bet não responder no prazo, abra reclamação no Consumidor.gov.br (a resposta deve ocorrer em até dez dias) e registre uma denúncia no Procon do seu estado. Inclua todas as provas reunidas.
- Judicialize: persistindo a retenção, ajuize ação no Juizado Especial Cível. Tribunais têm concedido indenização por danos morais quando há bloqueio abusivo.
Mesmo que o procedimento de KYC seja legítimo, a casa de apostas deve informar de forma clara quais documentos são exigidos, dar prazo razoável para a análise e permitir que o apostador retire o dinheiro quando a verificação estiver concluída. Caso contrário, há infração ao CDC e o consumidor pode buscar reparação.
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Links úteis
- Saldo retido na bet: como recuperar
- Bet cancelou aposta por “erro de odd”
- Como reclamar no Procon e Consumidor.gov.br
Referências: informações extraídas de reportagens e documentos oficiais sobre KYC e defesa do consumidor.





